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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Reflexões em Deuteronômio: Escuta, Igreja! o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!

Deuteronômio 6.1-9

Introdução

O texto de Dt. 6.1-9 é um dos núcleos do segundo sermão de Moisés e constitui a profissão de fé israelita, a Shemá.

O segundo sermão começa com a exposição dos princípios fundamentais como o Decálogo – os 10 Mandamentos (Dt. 4.44-5.33); culto ao único e verdadeiro Deus (Dt. 6); a guerra aos cultos idólatras (Dt. 7-11); e as leis relacionadas com o culto e a conduta de Israel (Dt. 12-26).

Na postagem anterior, onde expomos o primeiro discurso de Moisés, vimos que o líder de Israel falara para a nova geração, admoestando paternalmente aqueles que se encontravam prestes a herdar Canaã.

Ele relembrou os principais erros cometidos desde à saída do Egito. Que, não fosse a incredulidade, apenas 11 dias seriam necessários, ao invés dos 40 anos, para que se tivesse chegado à Terra Prometida. Que a conquista da Transjordânia ocorreu porque eles confiaram em Deus, que agiu soberanamente para que isso acontecesse e, exortou-os para que, quando envelhecessem, não esquecessem de tudo o que viram e experimentaram por parte do Eterno.

Desenvolvimento

Versículo 1

Moisés tinha acabado de repetir o decálogo para o povo, como eles tinham reagido à manifestação da divindade (trovões, relâmpagos) e como Deus expôs a Moisés o que havia verdadeiramente no coração deles.

Israel precisava desses mandamentos, estatutos e juízos! Agora era uma numerosa nação, bem diferente da quase imperceptível família que adentrara no Egito nos tempos de José, não fosse a fama desse servo de Deus.

Lembremos que este era, podemos assim dizer, o mais perfeito código civil e religioso de conduta da época (Dt. 4.8). Era perfeito porque vinha do “Ser Perfeito”. Para que fosse observado na Canaã. Isso era a antecipação do Céu, pois: Era um lugar que mana leite e mel (Nm. 13.27) sendo governado pelo próprio Deus, através de representantes que têm em suas mãos a melhor constituição civil e religiosa.

Versículo 2

O versículo dois nos mostra que o homem precisa de uma lei para agradar a Deus. Ele não pode fazê-lo sem essas orientações. Foi assim mesmo antes da queda e muito mais depois dela, quando passamos a carregar o pecado desde nossa concepção. A Lei serve para inibir o mal que em nós habita, como também nos mostrar o que devemos e o que não devemos fazer.

Ela (a Lei) é para os que a ouviram da boca do próprio Deus, como para seus filhos, netos e toda a geração futura; e não serve apenas quando estamos prestando o culto a Deus, ou quando nos reportamos às atividades “sagradas”. É pra ser guardada – que significa observada, cumprida – todos os dias da tua vida.

Sendo assim, os dias serão prolongados, porque Deus é misericordioso. Caso contrário, a justiça de Deus se encarregará de retribuir a desobediência (Dt. 7.9-10). Daí o verdadeiro temor a Deus constituir-se em guardar seus mandamentos.

Versículo 3

Quem dera Israel tivesse em mente somente os benefícios! Porque a observância da Lei só traz benefícios: ser bem sucedido e próspero (Dt. 7.13-16).

Versículo 4

O versículo quatro constituí a confissão de fé dos israelitas, a “Shemá”. É recitada todos os dias, pela manhã e à noite. Reza a tradição judaica que as primeiras palavras que a criança deve aprender a pronunciar são: Shemá Yisrael (Escuta, Israel). E as últimas palavras que pronuncia o israelita ao morrer são: O Eterno é nosso Deus, o Eterno é um.

Como a Igreja é o Israel de Deus, podemos fazer um paralelo e aplicar esse chamado a todos aqueles que ele elegeu, esse chamadoEscuta, Igreja!

Essa intimação a dar ouvidos, não fica restrito ao sentido da audição, ou da percepção do chamado pelo intelecto. Queremos dizer que essas palavras não foram dirigidas apenas aos ouvidos, senão, principalmente, ao coração. Quando elas invadem o coração e a alma, encontramos uma igreja que verdadeiramente teme e obedece a Deus. Que não pratica uma vida de superficialidade, encenando ser cristã, monoteísta, enquanto possui outros deuses: o da conveniência, da “necessidade”, da “oportunidade”.

O contexto histórico-religioso dessa época era o do politeísmo. O Egito e as demais nações que Israel tinha contato, possuíam vários deuses, seus rituais eram cruéis e demoníacos. As riquezas e gorduras dessas nações não poderiam encher os olhos de Israel: seu desenvolvimento, seu patrimônio, sua cultura. Porque levariam o povo de Deus a pecar (Dt. 7.1-5; 25-26).

Hoje não há muita diferença. A questão é que atualmente nós temos a sutileza, a aparência de santidade, o engodo, o lobo em pele de ovelha. O status, as realizações, a fartura de muitos, inclusive religiosos, estão pondo dúvidas em nossas mentes quanto à fé que professamos.

Por isso, Deus adverte seu povo com o Shemá: Escuta, Igreja! Atenta para as palavras do teu Deus, porque há um só Deus e uma só verdade!

Versículo 5

O verdadeiro significado de amar a Deus encontra-se na totalidade da devoção. Corresponde à correta profissão de fé, às atitudes que denotam uma ortopraxia, como também a correta intenção do coração, porque não basta uma mera obediência externa à lei.

Deus conhece e julga as intenções do coração. Há pouco ele revelou a Moisés o que havia no interior do coração dos israelitas, quando estes exteriormente falaram bem, entretanto, no seu íntimo não se achava o sentimento equivalente (Dt. 5.28-29).

Aplicação Pontual

Caros leitores, quando devemos fugir da hipocrisia? Quando nossos lábios professam algo que não há guarida para tal em nossos corações e até mesmo nossas mentes! Quando fazemos críticas tais ao próximo ou irmão, ao passo em que sabemos que realizamos as mesmas obras em oculto, e não nos envergonhamos disso, nem sequer nos esforçamos para mudar nossa prática!

Quantos de nós não professa amar a Deus? Talvez poucos afirmem o contrário. Mas nossa prática está distante.

A palavra amar é tão mal empregada por causa da sua banalização, que o seu sentido real tem se perdido com o tempo. Amar é doar-se, é não procurar seus próprios interesses, antes o interesse daquele que é objeto do amor; é esperar e confiar; é suportar e não se irritar/enfurecer (I Co. 13).

Quem ama a Deus, guarda os seus mandamentos porque são lâmpada para os nossos pés e luz para nosso caminho (Sl. 119.105).

Versículo 6 e 7

A lei de Deus não estava somente nas tábuas de pedra, perto de Moisés, e longe do povo. Não residia apenas com Deus nos céus, nem era de difícil entendimento. Depois de promulgada ao povo, ela foi gravada nos seus corações e todos a conheciam.

Eles deveriam repeti-la insistentemente aos seus filhos para que ficasse gravada no espírito. Era pra ser recomendada, aconselhada, mostrada e demonstrada, no interior dos seus lares, andando pelo caminho, ao dormir e ao acordar. Todos os momentos deveriam ser utilizados para o ensino da Lei de Deus.

Para que a criança conhecesse a vontade de Deus e a tivesse em alta conta. Conhecer a Lei de Deus é conhecer seu caráter, a sua essência, porque nela se encontra a perfeição – como expressa o livro dos Salmos 19.7-11. Para que a criança conhecesse os feitos do Deus a quem seus pais serviam (Dt. 6.20-25) – e venha a esconder a palavra no seu coração para não pecar contra Jeová (Sl. 119.11).

Versículo 8 e 9

É preciso meditar nessa lei diariamente. Assim como necessitamos do alimento, muito mais da Palavra de Deus – porque não só de pão viverá o homem (Dt. 8.3).

Somos propensos a nos esquecermos dos feitos de Deus em nossas vidas. O cotidiano, as atividades diárias, fazem com que passemos a agir no “automático”. As bênçãos são rapidamente esquecidas, assim como advertiu o Senhor a Israel (Dt. 6.10-12; 8.11-20). O compromisso com Deus é substituído por outras atividades que “roubam” quase todo o nosso tempo, restando para Deus apenas as sobras, quando elas existem.

Deus está dizendo: Amarra minha palavra nos teus punhos, pendura-a nos muros das tuas casas para que não venhas a te esquecer de mim. Porque Israel, tu és meu povo (Dt. 7.6-8).

Da mesma forma que Deus tirou a Israel da escravidão do Egito, nos tirou do lamaçal do pecado. Com a mesma mão poderosa, por amor ao seu nome, mediante o sacrifício de Jesus Cristo!

Da mesma forma que ele tinha prazer em abençoar a Israel, também se alegra em derramar bênçãos sobre nós (Dt. 7.1215). Maiores motivos, por assim dizer, temos nós de obedecermos ao Senhor. Porque, enquanto Israel vislumbrava a Terra Prometida (terra que mana leite e mel), nós vislumbramos o Novo Céu e a Nova Terra.

Conclusão

Agora, pois, ó Igreja, que é que o Senhor requer de ti? Não é que temas o Senhor, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardares os mandamentos do Senhor e os seus estatutos que hoje te ordeno, para o teu bem? (paráfrase de Dt. 10.12-13).

O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amém!

Diác. Rogério Brilhante Gonçalves
Igreja Batista Emanuel Reformada em Petrolândia

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